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domingo, 10 de abril de 2011

FATO E JULGAMENTO APRESSADO - Sabedoria dos Tempos de Laotse.

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"Havia na China antiga um velho camponês muito pobre, possuidor de um lindo cavalo branco, que até imperadores invejavam"…

Reis ofereciam quantias fabulosas pela compra daquele belo animal, mas o velho camponês recusava, e dizia:
- Este cavalo não é um simples animal a ser usado por mim, ele é como uma pessoa amiga. Como se pode vender uma pessoa, um amigo?

O homem era pobre, mas jamais o quis vender. E numa certa manhã ele descobriu que o cavalo não estava mais na cocheira. A aldeia inteira se reuniu, criticando-o, e as pessoas disseram:

- Seu velho estúpido! Sabíamos que um dia o cavalo seria roubado. Teria sido melhor se o tivesse vendido. Que desgraça!

Imperturbável, o velho camponês, respondeu:
- "Não se precipitem nem cheguem a tanto. Digam simplesmente que o cavalo não está mais na cocheira. Este é o fato: o resto é julgamento. Se foi desgraça ou uma bênção ainda não se sabe, pois este é apenas um fragmento [de um Todo]. Quem pode saber o que virá a seguir?"

As pessoas riram do velho, julgando-o meio maluco. Quinze dias depois, numa certa noite o cavalo voltou. Não havia sido roubado, e sim fugido para a floresta. E, além do mais, trouxe consigo uma dúzia de cavalos selvagens...

Novamente as pessoas se reuniram e disseram:
- Velho você estava certo. Não se tratava de desgraça. Na verdade, provou ser uma bênção.

- "Vocês estão novamente julgando"... Falou o velho. "Digam apenas que o cavalo está de volta. Quem sabe se é uma bênção ou não? Este é somente um fragmento. Quando se lê apenas uma palavra de toda uma sentença, como se pode julgar o livro todo?"

Desta vez as pessoas nada podiam dizer; no íntimo, porém achavam que ele estava errado. Afinal de contas, doze lindos cavalos haviam vindo para a sua cocheira…
O velho camponês possuía um único filho, e este começou a treinar os cavalos selvagens. Uma semana depois, caiu de um dos cavalos e fraturou as pernas.

De novo as pessoas se reuniram e uma vez mais o julgaram, dizendo:
- Você tinha razão novamente. Na verdade, foi uma desgraça. Seu único filho perdeu o uso das pernas e ele era seu único amparo na velhice. Agora está mais pobre do que nunca!

- "Vocês estão obcecados por julgamentos" – retrucou o velho. "Não se adiantem tanto. Digam apenas que o meu filho fraturou as pernas. Ninguém sabe se esta é uma desgraça ou uma bênção. A vida vem em fragmentos. Mais do que isso não nos é dado saber"...

Aconteceu, porém que semanas depois o país entrou em guerra, e todos os jovens da aldeia foram forçados a se alistar. E só deixaram para trás o filho do velho, por estar aleijado. A aldeia inteira se lamentava; achava ser uma luta perdida e que a maior parte de seus jovens jamais voltaria.

E outra vez as pessoas vieram até ao velho e disseram:
- Mais uma vez tinha razão, velho; aquilo se revelou uma bênção para você. Seu filho pode estar aleijado, mas ainda está consigo. Mas, nossos filhos se foram para sempre…

- "Vocês continuam julgando apressadamente" – voltou a dizer o velho camponês. "Ninguém sabe! Digam apenas que seus filhos foram forçados a entrar para o exército, enquanto meu filho não o foi. Somente Tao, a Totalidade, sabe se é uma bênção ou uma desgraça".
"Devemos evitar os julgamentos apressados, pois dessa maneira jamais nos tornaremos unos com a Totalidade. Ficamos obcecados com fragmentos e passamos a fazer ou tirar conclusões a partir de pequenas coisas.

"Quando nos detemos a julgar, deixamos de crescer. Julgar indica um estado mental estagnado. E a mente deseja sempre julgar, pois, para ela estar e aceitar esse processo [do fluxo natural das coisas] parece ser algo arriscado e desconfortável"...

"Na verdade, nossa jornada nunca chega ao fim. Um caminho termina, outro começa. Quando uma porta se fecha, outra se abre. Quando atingimos um cume, logo descobrimos um outro mais alto".

“O Tao (¹) é uma jornada sem fim. Só homens corajosos, que não se preocupam com a meta, mas se contentam com a jornada [o Caminho], vivendo simplesmente o momento presente e nele crescendo, são capazes de caminhar com o Tao, a Totalidade”... [Autoria desconhecida].
(¹) Nota [®]: Na linguagem do ‘I Ching’ – O Livro das Mutações, o ideograma chinês que corresponde ao Tao tem significados vários, como "caminho", "sentido", etc.. Mas, “o derradeiro significado do Tao é o Espírito, o divino, o insondável, aquilo que se deve reverenciar no silêncio”...

“O vulgo [o homem comum] vive dia após dia sustentado e nutrido continuamente pelo Tao, mas nada sabe sobre ele, pois vê apenas o que tem diante dos olhos. Pois o caminho do homem superior, que vê não só as coisas, mas antes o Tao das coisas, é raro...

O 'I Ching' diz: “O homem contemplativo, para o qual a sabedoria tranqüila é o bem supremo, descobre o Tao do universo, e o denomina a suprema sabedoria. O Tao do universo é, na verdade, a bondade e a sabedoria, mas em sua essência última, o Tao está também além da bondade e da sabedoria”.

“O Tao se manifesta de modo diferente em cada indivíduo, de acordo com o que lhe é próprio. O homem de ação, para o qual a bondade e o amor humanitário têm valor supremo, descobre o Tao dos processos cósmicos e o denomina Suprema Bondade: Deus é Amor”. [Cf. ‘I Ching’, p.229/31. C.G. Jung / Richard Wilhelm. Pensamento].
Luz, Amor e Paz! (Campos de Raphael).

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