anjinhos

sábado, 11 de junho de 2011

PRÓLOGO DE 'ASSIM FALAVA ZARATUSTRA'. (Nietzsche).

Anjo Guardião: V. já sabe qual é o seu anjo? (Clic): "Descubra seu anjo pelo mês de nascimento". (Monica Buonfiglio). Veja tb:“Conheça o Seu Anjo da Guarda".

Intróito: Este portal, qual pequena chama da vela brilhando na escuridão, visa apenas ser veículo de informação e instrumento dos anjos da Sincronicidade, mensageiros da "Luz que brilha nas trevas", que orientam amorosamente a todos os que se vêem em apuros na travessia do mar encapelado da vida.

Na atualidade em que vivemos num mundo conturbado, voltado para a aparência e valores transitórios, muitas pessoas tendem a sentir estranha insatisfação e a entrar em depressão, mesmo realizadas financeiramente ou após a aposentadoria, por faltar-lhes uma motivação mais profunda que preencha as suas vidas.

E considero bênção e dádiva divina poder hoje dedicar-me ao site "Ensinos-Luz" (magisterlux) e ao Blog "portaldeanjos", ambos sem fins lucrativos e livres da idéia religiosa tradicional, pois fundamentam-se em experiências diretas pessoais da presença angélica, aqui e agora, na vida de todos nós.

E incentivamos você o “ver e saber por si mesmo”, na busca de respostas mais amplas sobre o sentido por trás dos eventos da vida, na certeza de que virão, pois nossa própria experiência e longa caminhada espiritual de mais de quarenta anos, reafirma a sentença de sabedoria do 'I Ching': "Se você é sincero, obterá sucesso em seu coração"...

Preciso destacar, porém que as vivências conscientes com nosso anjo guardião começou apenas há cerca de dez anos. E somente após um retrospecto dos eventos desde a infância, foi que constatei a presença constante dos anjos da Sincronicidade, principalmente nas travessias difíceis da vida, orientando e ofertando conforto espiritual quando nossas almas necessitam de especial auxílio...

E conosco aconteceu palpavelmente a partir da experiência de quase-morte de minha esposa, ainda recém-casado. Mas, essa é outra história.

O que hoje vou abordar, porém é uma página em meios a eventos marcantes em 1977, já na casa dos quarenta anos. Na ocasião, foi que me veio às mãos o “Assim Falava Zaratustra", e o "Prólogo" me tocou profundamente. Agora me identifico ainda mais com sua alegoria, pois de certo modo também "desci das montanhas para viver entre os homens" e partilhar com eles de sagrada taça.

Por isso, hoje o transcrevo aqui. Mas lembre-se: a linguagem figurada de Nietzsche poderá melhor ser compreendida se ao ler "O Prólogo de Zaratustra", você seguir a recomendação de Dante para a leitura de sua 'Divina Comédia’:
Procure "lançar um olhar mais além da roupagem literária, para poder vislumbrar a doutrina de caráter universal que se esconde por trás da roupagem das palavras"...
Que a Luz, o Amor e a Paz estejam com você! (Campos de Raphael)

'O PRÓLOGO DE ZARATUSTRA' - Nietzsche.
"Aos trinta anos de idade, deixou Zaratustra sua terra natal o lago de sua terra natal e foi para a montanha. Gozou ali, durante dez anos, de seu próprio espírito e da solidão, sem deles se cansar"...

No fim, contudo, seu coração mudou; e, certa manhã, levantou-se ele com a aurora, foi para diante do sol e assim lhe falou:

"Que seria a tua felicidade, ó grande astro, se não tivesses aqueles que iluminas!

São dez anos que sobes à minha caverna; e já se te haveriam tornado enfadonhos a tua luz e este caminho, sem mim, a minha águia e a minha serpente.

Mas nós te esperávamos todas as manhãs, tomávamos de ti o teu supérfluo e por ele te abençoávamos.

Vê! Aborreci-me da minha sabedoria, como a abelha do mel que ajuntou em excesso; preciso de mãos que para mim se estendam.

Eu desejaria dar e distribuir tanto, que os sábios dentre os homens voltassem a alegrar-se de sua loucura e os pobres de sua riqueza.

Por isso, é preciso que eu baixe às profundezas, como fazes tu à noite, quando desapareces atrás do mar, levando ainda a luz ao mundo ínfero, ó astro opulento!

Como tu, devo ter o meu ocaso, segundo dizem os homens para junto dos quais quero descer.

Abençoa-me, pois, olho tranqüilo, que pode, sem inveja, contemplar uma ventura ainda que demasiado grande!

Abençoa a taça que quer transbordar, a fim de que sua água escorra dourada, levando por toda a parte o reflexo da tua bem-aventurança!

Vê! Essa taça quer voltar a esvaziar-se e Zaratustra que voltar a ser homem".
Assim começou o ocaso de Zaratustra...
Zaratustra desceu a montanha sozinho e sem encontrar ninguém. Mas, quando chegou às florestas, deparou repentinamente com um velho, que deixara a sua sagrada choupana para ir à procura de raízes no mato. E assim falou o velho a Zaratustra:

"Não me é desconhecido este viandante; passou por aqui há muitos anos. Chamava-se Zaratustra; mas está mudado. Naquele tempo, levavas a tua cinza para o monte; queres, hoje, trazer o fogo para o vale? Não receias as penas contra os incendiários?

Sim, reconheço Zaratustra. Puro é seu olhar e não há em sua boca nenhum laivo de náusea. Não será por isso que caminha como dançarino? Mudado está Zaratustra, tornou-se uma criança, Zaratustra despertou Zaratustra; que pretendes, agora, entre os que dormem?

Vivias na solidão como num mar e o mar te transportava. Ai de ti, queres ir a terra? Ai de ti, queres novamente arrastar tu mesmo o teu corpo?"

Zaratustra respondeu: "Amo os homens".

"E por que foi, então", disse o santo, "que eu me recolhi à floresta e ao ermo? Não foi porque amei demais os homens?

Agora, amo Deus, não amo os homens. Coisa por demais imperfeita é, para mim, o ser humano. O amor aos homens me mataria".

Zaratustra respondeu: "Por que fui falar de amor! Trago aos homens um presente"... "Não lhe dês nada", disse o santo. "Tira-lhes, de preferência, alguma coisa de cima e ajuda-os a levá-la; será o que de melhor poderás fazer por eles, se for bom para ti.

E se queres dar-lhes alguma coisa, que não seja mais do que uma esmola; e, mesmo assim, só depois que a mendiguem".

"Não", respondeu Zaratustra, "eu não dou esmolas. Não sou bastante pobre para isso"...

Riu o santo de Zaratustra e falou assim: "Trata, então, de que aceitem os teus tesouros! Eles desconfiam dos solitários e não acreditam que os procuremos para presenteá-los.

Por demais desacompanhados, para eles, ecoam nossos passos nas ruas. E, quando, à noite, em suas camas, ouvem alguém caminhar muito antes que o sol desponte, perguntam a si mesmos: 'aonde irá esse ladrão?'

Não vás para junto dos homens, e fica na floresta! Vai ter, antes, com os animais! Por que não queres ser como eu - um urso entre os ursos, um pássaro entre os pássaros?"

"E o que faz o santo na floresta?", indagou Zaratustra.

O santo respondeu: "Faço canções e as canto; e, quando faço canções, rio, choro e falo de mim para mim: assim louvo Deus. Cantando, chorando, rindo e falando de mim para mim, louvo o Deus que é o meu Deus. Mas, tu, que nos trazes de presente?"

Ao ouvir essas palavras, despediu-se Zaratustra do santo, dizendo: "Que teria eu para dar-vos? Mas deixai-me ir embora depressa, antes que vos tire alguma coisa!"

E assim se separaram, o velho e o homem, rindo como dois meninos...
[Extraído de 'Assim Falou Zaratustra', p. 27/29. Civilização Brasileira. 1977].

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