anjinhos

sexta-feira, 17 de julho de 2009

NADA ACONTECE POR ACASO NA VIDA. Relato.

“Deus perto está, / Difícil de captar, / Mas onde há perigo, cresce / O que salva também”. (‘Patmos’. Fragmentos significativos). [Cf. ‘Símbolos da Transformação’, § 630. C.G. Jung. Vozes].

O que é sincronicidade? Casualmente vi um exemplo de ‘sincronicidade’ no quadro ‘Estrelas’ de 23.05.2009, quando o ator Jackson Antunes relatou na TV que, ao atravessar um momento difícil na vida, tomou um ônibus e achou caído ao lado da poltrona um livro do prof. Hermógenes. Abriu uma página aleatória e leu palavras que o tocou profundamente, infundiu-lhe novas forças e pôde “dar a volta por cima”... Jackson, talvez nem tenha percebido as coincidências significativas por trás disso, e que a notoriedade artística começou graças ao seu bom desempenho na novela ‘Renascer’...

Quando crises vindas de fora ou de dentro atingem uma profundidade onde ‘o perigo é grande’... “Aí ‘Deus está próximo’ e o homem encontra o vaso materno do renascimento, o lugar de germinação, onde a vida pode renovar-se. Pois a vida continua apesar da perda da juventude, e pode mesmo ser vivida com a maior intensidade se a retrospecção para o que findou não tolher o passo”... [Cf. ‘Símbolos da Transformação’, § 630].

Desde o início do nosso processo do nascimento na forma física, somos acompanhados por um misterioso fator que Jung denominou ‘sincronicidade’ e ‘agentes espirituais’. Mas aprendi por experiência, ao longo da travessia dos perigos no labirinto da vida, a pressentir esse fator atuando por trás dos acontecimentos. Mas só o compreendi, graças a Jung em ‘O Segredo da Flor de Ouro’, ao “abrir os olhos para o fato de que nosso mundo de tempo, espaço e causalidade está relacionado com uma outra ordem de coisas, atrás ou sob ele, ordem na qual “aqui” e “ali”, “antes” e “depois” não são essenciais”. (Cf. ‘Memórias’, p.264. C.G. Jung).

Agora percebo a sincronicidade como Amorosa Mão e os agentes espirituais, quais anjos da guarda sempre presentes nos momentos significativos. Significativo, porque “cumpre o destino”. E a sincronicidade traz a luz da graça da compreensão, “o fio de Ariadne”, que permite vencer o Minotauro no escuro subterrâneo do ego, sair do “fundo do poço” e mudar o destino...

“A sincronicidade não é mais enigmática, nem mais misteriosa do que as descontinuidades na física” – escreve Jung. “Nossa convicção enraizada do poder da causalidade [lei de causa e efeito] cria, e só ela, as dificuldades que se opõem ao entendimento. As coincidências de acontecimentos ligados pelo sentido... quanto mais se multiplicam e mais a concordância é exata, sua probabilidade diminui e aumenta a inverossimilhança, o que significa que não podem passar por simples acaso, mas, devido à ausência de explicação causal, ser olhadas como ordenações que têm sentido. Sua ‘inexplicabilidade’ não é devida a ignorância de sua causa, e sim ao fato de que o intelecto é incapaz de pensá-la”. [Cf. ‘Salto para o Sagrado’ - ‘Viver Mente & Cérebro', nº. 2, p.53. 2009. e ‘Memórias’, p. 359. C.G. Jung. 1986].

Em ‘Milagres Inesperados’, p. 19. David Richo acrescenta: “A sincronicidade é o encontro perturbador entre o mundo exterior e o nosso eu interior. Ela nos traz conforto com o mistério de a nossa natureza humana e a mãe natureza contarem a mesma história... Cada experiência sincronística é um convite desafiador para que renunciemos ao ego por um período suficiente a fim de projetar uma destinação de acordo com os propósitos do amor. Vivemos encontrando justamente aquilo de que precisamos para evoluir como seres psicológicos e espirituais. Receber leva a dar e, desse modo, todos se beneficiam do trabalho de cada um. Esse intercâmbio é o jubiloso cumprimento do destino pessoal num mundo que anseia por luz”...

Vivendo e trabalhando desde os treze anos de idade na Cidade Maravilhosa, o fluxo do destino nos levou mais tarde, sete anos depois de casado, para São Paulo, em razão do cargo que exercia na Companhia Siderúrgica Nacional. E passados dois ciclos de sete, foi-nos proposto acordo trabalhista e adquirimos um apartamento no litoral de Santos, em Itanhaém, de clima mais ameno do que o Rio de Janeiro…

E já no ano seguinte, a mãe de minha mulher residente em Friburgo, que sofria de câncer terminal, veio passar conosco os últimos dias; anos antes, por estranha coincidência o seu marido faleceu de câncer também em nosso apartamento, quando morávamos no Rio de Janeiro. As circunstâncias imprevistas em nossa vida, quando não explicáveis pela escolha consciente, são oportunidades de crescimento; elas trazem lições a serem apreendidas ou problemas não resolvidos na vida passada... “Quando as ocupações se nos propõem, devemos aceitá-las; quando as coisas acontecem em nossa vida, devemos compreendê-las até o fundo”. (Mestre Lü Dsu). [Cf. ‘O Segredo da Flor de Ouro’, p.34. C.G. Jung. Vozes].

Providenciamos uma cama hospitalar para minha sogra e a filha prestou-lhe assistência enquanto foi possível; ao pressentir que sua hora estava próxima, nós a internamos na Clínica Tobias em São Paulo. Antes de partir de Itanhaém, porém ela nos chamou assim que despertou para contar um sonho significativo que trouxe resposta a sua pergunta: “Por que tenho que sofrer tanto?”. Trata-se de uma experiência noutro nível da consciência, e o relato dela você pode ver aqui. [Clic: Histórias da Vida: “Cada um Escolhe a Sua Cruz” ].

Há uma sentença espiritual que jamais esqueci: “Antes que me chames, já terei atendido”. Naquela Clinica Tobias, onde internamos “nossa” outra mãe, havia uma livraria espiritualista, e o título de um livrinho me atraiu: “El Secreto de la Flor de Oro” de C.G. Jung /Richard Wilhelm. Jamais imaginaria então que a preciosidade ali contida marcaria e sinalizaria mais tarde outra etapa significativa no caminho da vida, em cujo fluxo me aprofundaria na psicologia moderna. Na época, tive dificuldade de entender os conceitos junguianos, além de desconhecer sua terminologia. E acabei deixando esquecido o livrinho na estante...

Sete anos mais tarde reencontrei o livrinho na estante. Ciclos de sete anos sempre marcaram minha vida, e outra série de acontecimentos desencadeou forte tempestade em nossas vidas, culminando com o meu afastamento físico do discipulado na Escola Espiritual de J. van Rijckenborgh (sede na Holanda), onde aprendera os fundamentos cristão-esotéricos universais. Mas, pouco antes já pressentira um fator inexplicável atuando em nossas vidas, para além da nossa vontade consciente e dos laços cármicos do passado, e ansiava por obter respostas que atendesse ao coração e a razão para compreendê-lo, como também encontrar uma nova via para dar continuidade ao caminho espiritual…

“O espaço da alma é imensamente grande e pleno de realidade viva. Sobre suas fronteiras paira o mistério da matéria e do espírito; ou, ainda, o dos sentidos. Eis o que constitui, para mim, os limites dentro dos quais posso formular minha experiência”. [Cf. 'Memórias', p. 322/23. C. G. Jung. 1986].

“Sente-se, Jéssica, veja como o chão do céu /Traz uma camada espessa de traços de ouro brilhante. /Não há o mínimo orbe que você contemple, /Mas, no seu movimento, como um anjo canta, /Ainda se mostrando aos olhos jovens de querubins, /A harmonia que está nas almas imortais; /Mas enquanto esta lamacenta veste de decadência /Fecha-se pesada sobre ela, não podemos ouvi-la”. (‘O Mercador de Veneza’. Shakespeare).


Abri uma página aleatória do livrinho 'O Segredo da Flor de Ouro’ numa página marcado por fita vermelha, com os dizeres: “Não Temas”. As palavras desceram como bálsamo para a alma e apaziguou de imediato o meu coração. O texto de Jung trazia a resposta sincronística: ‘A PSICOLOGIA MODERNA ABRE UMA POSSIBILIDADE DE COMPREENSÃO'. Ele dizia:

“No meu trabalho sempre mantive a convicção, talvez por causa do meu temperamento, de que no fundo não há problemas insolúveis. Até agora, a experiência confirmou esta expectativa. Vi muitas vezes pacientes superarem problemas aos quais outros sucumbiram… Tal ‘superação’ ou ‘ampliação’, como denominara anteriormente o fenômeno, revelou-se depois de experiências posteriores como uma elevação do nível da consciência. Algum interesse mais alto e mais amplo apareceu no horizonte, fazendo com que o problema insolúvel perdesse a urgência. Sem que encontrasse a solução lógica, empalideceu em confronto com um novo e forte rumo de vida“… >

“Não foi reprimido, nem submergiu no inconsciente, mas simplesmente apareceu sob outra luz, tornando-se outro. Aquilo que num primeiro degrau levara aos conflitos mais selvagens e a tempestade pânicas de afetos parecia agora, considerado de um nível mais alto da personalidade, uma tempestade no vale, vista do cume de elevada montanha. Com isto, a tempestade não é privada de sua realidade, mas, em lugar de se estar nela, se está acima dela. Mas como de um ponto de vista anímico [ou da alma] somos ao mesmo tempo vale e montanha, parece uma presunção nada convincente sentir-se o indivíduo além do humano”. >

“Certamente sentimos o afeto (a emoção), que nos sacode e atormenta. Mas ao mesmo tempo é-nos dada uma consciência mais alta, que impede nossa identificação com o afeto; somos capazes de considerá-lo com um objeto, e assim podemos dizer: ‘Eu sei que estou sofrendo’. A afirmação de nosso texto: A preguiça da qual não somos conscientes e a preguiça da qual somos conscientes estão a milhares de milhas uma da outra”… >

“Ao observar a via de desenvolvimento daqueles que silenciosa e inconscientemente se superaram a si mesmos, constatei que seus destinos tinham algo em comum: o novo vinha a eles do campo obscuro das possibilidades de fora ou de dentro, e eles o acolhiam e com isso cresciam. Parecia-me típico que uns o recebesse de fora e outros, de dentro, ou melhor, que em alguns o novo crescesse a partir de fora e em outros, a partir de dentro. Mas de qualquer forma, nunca o novo era algo somente exterior ou somente interior. Ao vir de fora, tornava-se a vivência mais íntima. Indo de dentro, tornava-se acontecimento externo. Jamais era intencionalmente provocado ou conscientemente desejado, mas como que fluía na torrente do tempo”. [Cf. ‘O Segredo da Flor de Ouro’, p. 31/32. C.G. Jung / R. Wilhelm. Vozes].

É o livro que citei no início deste relato. Lembra-se? Desde então as portas se abriram para adentrar aos mistérios da ‘Sincronicidade’. Se você teve paciência de ler até aqui, pode agora compreender o fundamento empírico de nossa afirmação: “Nada acontece por acaso na vida”…

E para finalizar adapto palavras de ‘Milagres Inesperados’: “A sincronicidade acontece quando alguma coisa doada pelo destino está acontecendo. Pode não ser mera coincidência o fato de você estar lendo este livro [ou texto]. Pode ser uma estrita coincidência, que mostrará com acerto que sentido a sua vida teve e tem. A leitura deste ‘livro’ pode ser uma coincidência significativa, coincidência que revela alguma nova topografia do seu caminho pessoal”...

Possa também os trechos aqui transcritos ser um instrumento dessa Amorosa Mão que nos pode iluminar e guiar nos labirintos da vida! [®]

Luz, Paz e Saúde! (Campos de Raphael)

2 comentários:

  1. OBRIGADA.....A DEUS QUE PERMITIU QUE BROTASSE ESPERANÇA NO MEU CORAÇÃO AUMENTANDO AMINHA FÉ...

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  2. Muito bom Carlos Campos
    vc e um mensageiro da luz
    namaste

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